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Pele & Imunidade 3 min de leitura

Você sabia que nem sempre a urticária está relacionada com a alergia?

A urticária crônica raramente tem causa alérgica. Entenda por que o diagnóstico é clínico, como evitar exames desnecessários e quais tratamentos modernos podem transformar sua qualidade de vida.

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Dra. Cristine Rosário

Médica Alergista e Imunologista · CRM-PR 29.253

A urticária aguda pode ser manifestação de uma reação alérgica a alimentos, medicamentos, látex (borracha) ou ferroada de insetos venenosos — como abelhas, formigas e vespas. Contudo, outras causas podem estar associadas ao aparecimento de urticária sem que um mecanismo alérgico esteja envolvido, como as infecções virais, por exemplo.

Urticária crônica: causa raramente é alérgica

Nos casos de urticária crônica espontânea (UCE), as pesquisas indicam que a causa seja autoimune — e não alérgica. Isso significa que a investigação por alimentos ou outros gatilhos comuns raramente trará as respostas esperadas.

Muitas vezes, são realizados atendimentos recorrentes, orientações diferentes e exames em excesso na tentativa de identificar uma causa específica. Quando esses exames não trazem respostas, causam ainda mais confusão e frustração — levando a restrições alimentares e mudanças desnecessárias nos hábitos de vida.

Essa conduta impacta diretamente a qualidade de vida e traz uma sensação de impotência diante do quadro. A consulta com o médico especialista pode vir acompanhada de grande expectativa por um exame que "feche o diagnóstico". Entretanto, o diagnóstico é clínico — ou seja, baseado na análise criteriosa da história de cada pessoa, no exame físico e na caracterização correta das lesões de pele.

O diário de sintomas como aliado

Além das fotos das lesões, é muito útil manter um diário dos sintomas. Anotar diariamente o que sente — como coceira, inchaço, dor ou qualquer outro sintoma — ajuda a identificar padrões e fatores desencadeantes. O diário também permite ao médico avaliar a eficácia do tratamento ao longo do tempo e fazer os ajustes necessários.

Da primeira geração aos imunobiológicos

Durante muitos anos, o tratamento da urticária crônica foi realizado com antialérgicos de primeira geração (sedativos) e corticoide — com benefícios limitados e efeitos indesejáveis. Com o passar dos anos, surgiram antialérgicos mais modernos, possibilitando um tratamento mais seguro e eficaz.

Foi lançado o primeiro imunobiológico para a UCE — o omalizumabe (anti-IgE) —, que modificou expressivamente a vida de muitos pacientes. Mais recentemente, houve aprovação para o uso de dupilumabe na UCE. Os corticoides não são recomendados para uso prolongado, pois apresentam muitos efeitos indesejáveis: ganho de peso, aumento da pressão arterial, glaucoma, catarata, maior risco de infecções, diabetes e problemas ósseos.

O controle da UCE vai além dos medicamentos

O controle da urticária crônica espontânea depende de uma abordagem completa: além dos medicamentos, o suporte emocional, as mudanças no estilo de vida e o entendimento dos fatores desencadeantes são fundamentais. A educação contínua sobre a condição — tanto para o paciente quanto para quem convive com ele — é essencial para enfrentar os desafios da UCE de maneira eficaz.

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